QUEM SOMOS. who we are

PARCERIA. partnership
Mbenga/OdH



A Plataforma Mbenga Artes e Reflexões é um colectivo de jovens jornalistas moçambicanos que se dedicam a produção de conteúdos jornalísticos e a criação de fóruns de debates sobre questões relacionadas com a arte. Somos igualmente movidos pela crença de que as discussões filosóficas e académicas relacionadas com a arte devem estar acessíveis a sociedade em geral. Estamos preocupados com os processos e narrativas relacionadas a construção das identidades moçambicanas, olhando para a produção contemporânea moçambicana.

Por sua vez, a Oficina de História, igualmente constituído por jovens historiadores moçambicanos, tem como objetivo apresentar, à comunidade académica, estudantil e geral, os resultados de pesquisas científicas e projectos em curso, bem como as experiências técnicas e profissionais realizadas pelos investigadores, estudantes, historiadores locais e convidados internacionais que pesquisam sobre a História de Moçambique.

Ambas agremiações, movidas por uma preocupação sobre a necessidade de agitar as águas do passado no presente com perspectivas no futuro, na expectativa de reabilitar as narrativas que nos definem enquanto moçambicanos e africanos, assumiram a responsabilidade de realizar o segundo seminário sobre a Restituição de Bens Culturais saqueados das antigas colónias europeias em África, o que inclui o nosso país.

Plataforma Mbenga Artes e Reflexões is a collective of young Mozambican journalists dedicated to the production of journalistic content and the creation of debate forums on art related issues. We are also driven by the belief that philosophical and academic discussions related to art should be accessible to society in general. We are concerned with the processes and narratives related to the construction of Mozambican identities, looking at contemporary Mozambican production.

In turn, the History Workshop, equally constituted by young Mozambican historians, aims at presenting to the academic, student and general community the results of ongoing scientific research and projects, as well as the technical and professional experiences carried out by researchers, students, local historians and international guests researching the History of Mozambique. 

Both associations, moved by a concern about the need to stir the waters of the past in the present with perspectives on the future, in the expectation of rehabilitating the narratives that define us as Mozambicans and Africans, took on the responsibility of holding the second seminar on the Restitution of Cultural Property looted from the former European colonies in Africa, which includes our country.


 


EQUIPA . Team

ORGANIZADORES . ORGANISERS

Ivan Zacarias
Historiador . Historian
Oficina de História (Mozambique)

Leo Matusse

Jornalista cultural . Cultural journalist

Mbenga - Artes e Reflexões

Marílio Wane

Antropólogo e investigador. Anthropologist and researcher
(convidado. guest organizer)

Catarina Simão

Artista e investigadora . Artist and researcher

(convidada. guest organizer)

Otília Aquino

Agente Cultural . Cultural Manager

(convidada. guest organizer)




A nossa história . our story

As notícias destas últimas semanas vieram cheias de boas vibrações. Fiquei satisfeito por ouvir o anúncio - há muito esperado - de que os museus europeus tencionam repatriar alguns dos chamados "bronzes do Benim". Estou ansioso por ver as acções concretas que se seguirão a estas intenções! The news these past few weeks has been full of good vibes. I was pleased to hear the announcement - long overdue - that European museums intend to repatriate some of the so-called "Benin bronzes". I look forward to seeing the concrete actions that will follow these intentions!

Estas peças de arte foram saqueadas do Palácio do Benin em 1897, durante o colonialismo britânico e depois foram postas a leilão. Foram então adquiridas por museus de toda a Europa e dos Estados Unidos da América. Os britânicos conseguiram assim recuperar o custo da sua operação militar contra os Edo, ganhando deste modo o controlo comercial sobre o óleo de palma... (óleo de palma?). Mas será que o óleo de palma de Benin do tempo do colonialismo britânico pode ter a ver com o gás de "palma" em Moçambique? Infelizmente, estou em crer que sim. These art pieces were looted from the Benin Palace in 1897 during British colonialism and were put up for auction. They were then acquired by museums across Europe and the United States of America. The British were thus able to recoup the cost of their military operation against the Edo, thereby gaining commercial control over palm oil... (palm oil?). But could Benin's palm oil from the time of British colonialism have anything to do with the "palm" gas in Mozambique? Unfortunately, I believe it does.


Deixe-me tentar explicar como este jogo de palavras soa para mim: em Moçambique, Palma (Palm) é a principal vila do distrito com o mesmo nome em Cabo Delgado. A vila foi atacada a 24 de Março deste ano pelo chamado grupo insurgente Al Suna WA Jamah. Há uma empresa multinacional de extracção de gás que está instalada nas proximidades e, infelizmente, algumas pessoas brancas foram executadas entre muitas outras entre a população local. Por essa razão, a notícia de Palma ter sido atacada por terroristas foi noticiada em todo o mundo...!! Let me try to explain how this play on words sounds to me: in Mozambique, Palma (Palm) is the main town in the district of the same name in Cabo Delgado. The town was attacked on 24 March this year by the so-called insurgent group Al Suna WA Jamah. There is a multinational gas extraction company that is installed nearby and unfortunately some white people were executed among many others among the local population. For this reason, the news of Palma being attacked by terrorists was reported all over the world...!!!!

A repercussão mediática internacional do conflito em Cabo Delgado está a reduzir o meu país a uma única imagem de violência. Precisamos de construir a contra-imagem desta imagem que se tornou global. The international media repercussion of the conflict in Cabo Delgado is reducing my country to a single image of violence. We need to build the counter-image of this image that has become global.

Dada a turbulência em que o meu país se encontra, a tarefa de Restituição e Reparação parece mais difícil e simultaneamente muito mais necessária. Torna sobretudo mais difícil a tarefa de a compreender no seu todo . Talvez seja preciso muito mais do que actos simbólicos como a repatriação das nossas obras de arte. A este respeito, devemos ter em mente as advertências feitas pelo grande autor nigeriano Wole Soyinka: restituição e verdade antes da reconciliação!Muitos de nós sentimos que é necessário um imenso trabalho de justiça. Queremos reivindicar a paz e reflectir sobre quem somos.
A descolonização das mentes deve andar de mãos dadas com a desmilitarização das mentes, que deve por sua vez acompanhar a justa reconstrução da nossa memória histórica. Para que seja real a tão anunciada "nova ética relacional", ela precisa fazer-se acompanhar de importantes pequenos primeiros passos.
Given the turbulence in which my country finds itself, the task of Restitution and Reparation seems more difficult and at the same time much more necessary. Above all, it makes the task of understanding it a whole more difficult. Perhaps much more is needed than symbolic acts like the repatriation of our works of art. In this regard, we should bear in mind the warnings made by the great Nigerian author Wole Soyinka: restitution and truth before reconciliation!
Many of us feel that an immense work of justice is needed. We want to claim peace and reflect on who we are.
The decolonisation of minds must go hand in hand with the demilitarisation of minds, which must in turn accompany the just reconstruction of our historical memory. For the much-heralded "new relational ethic" to be real, it needs to be accompanied by important small first steps.

Nós queremos começar por três pequenos primeiros passos: 1) ouvir, 2) debater 3) pesquisar. We want to start with three small first steps: 1) listening, 2) debating, 3) researching.

Juntamente com especialistas de outros países africanos, e pela primeira vez, Moçambique acolherá um debate internacional sobre Restituição e Reparação.
São os historiadores e a sociedade civil que estão a fazer esta chamada: se temos coisas a dizer - vamos debater. Se temos o que ouvir - vamos ouvir.
Together with specialists from other African countries, and for the first time, Mozambique will host an international debate on Restitution and Reparation.
It is both historians and civil society who are making this call: if we have things to say - let's debate. If we have things to hear - let's listen.

Não façamos esta conversa sobre "eles", mas sobre "nós". Let's not make this conversation about "them", but about "us".


E AGORA? and now?

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